quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Citação a propósito

"O aborto acaba deliberadamente com uma vida potencial. Mas não permitir um aborto mata potencialmente duas vidas. O elo entre a mãe e o filho é o elo mais íntimo da experiência humana. Na mais primária das relações humanas, o amor, o acolhimento e a receptividade devem estar presentes com abundância. Forçar uma mulher a ter e criar uma criança contra a sua vontade é, portanto, um acto de violência. Reprime e diminui o elo mãe-filho e semeia o ódio em vez do amor. Poderá haver pior entrada para o mundo do que forçar uma criança a habitar um corpo que lhe é hostil?
A vida é demasiado preciosa para inibir o seu total desabrochar e o seu potencial forçando uma mulher a gerá-la contra sua vontade. Já que sabemos que as vidas iniciais de criminosos e agressores da sociedade estão frequentemente cheias de pobreza e desespero, até pode ser perigoso trazer ao mundo um ser que não é desejado."

In Corpo de Mulher Sabedoria de Mulher
Christiane Northrup
1999 (ed portuguesa)

4 comentários:

  1. Pois, quem tem o direito de decidir e interferir na liberdade de escolha de uma pessoa? Sou mesmo radical e a pergunta que devia ser feita era qualquer coisa do género: «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez se realizada de modo consciente e sob acompanhamento clínico em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?». Mas, enfim, à falta de coragem para enfrentar verdadeiramente de frente e sem complexos os problemas, preferimos contornar as questões e refugiarmo-nos na saída mais fácil. Afinal, somos o País das Rotundas por alguma razão…

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  2. Zé Nuno,
    Eu era mais "concorda com a liberalização da IVG até às 10 semanas...".

    Independentemente da nossa escolha pessoal, o dizer SIM apenas respeita a liberdade de escolha de cada um e possibilita condições dignas de saúde a quem precisar de o fazer.

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