terça-feira, 14 de agosto de 2007

"Reply now?" (O meu telemóvel novo)

Nunca liguei muito a telemóveis, nem sequer percebo a motivação para gastar fortunas num "topo de gama". De tal forma que tive, até ontem, um telemóvel arcaico que já ninguém tem. Tão antigo que nem auricular suportava, um dos motivos que me levou a trocá-lo, para além de se desligar durante a conversação e truncar sms a meio quando lhe apetecia.

O meu telemóvel novo é pequeno, leve e bonito, tem máquina fotográfica, mp3 e rádio e, com certeza, muitas outras funções que se calhar nunca vou saber ou usar. Comprei-o a um preço aceitável, com os pontos de fidelização.

Tenho o hábito de guardar mensagens que me marcam de forma especial, pelo conteúdo, momento ou sensação vividos ao recebê-las. Volta e meia releio-as, para matar saudades ou recordar essas relíquias só minhas.

Estava, portanto, bastante desgostosa com a perda das mensagens com a mudança de cartão para o meu telemóvel novo, dado que a transferência de dados do cartão para o telefone não tinha colocado essas mensagens na inbox.

Noite dentro, já na cama, a responder à simpática mensagem de um amigo que agradecia o jantar de ontem, descubro uma nova pasta de mensagens: saved messages. Fui ver. Lá estavam elas! Que bom, que alegria. Li-as, uma por uma, com a emoção de quem encontra um tesouro julgado irremediavelmente perdido.

Uma das mensagens desse espólio é de um amigo que já não está entre nós, que partiu repentinamente e sem se despedir, mas que na véspera de o fazer me enviou uma mensagem linda. Percorro a mensagem, cujo texto sei de cor, com o nó na garganta característico. No final da mensagem, abre-se uma nova janela a dizer "the sender has requested a reply. Reply now?"

Às escuras, no quarto, fico a olhar para o visor, para uma mensagem que me chega do passado e sinto de novo a perda, a angústia, o peso do inevitável. "Reply now?"

O meu telemóvel novo interpreta informação da era tecnológica que, até ontem, eu não tinha acesso. É pena que o meu telemóvel novo não permita que eu responda "yes", escreva uma mensagem, a envie para o ano de 2001 e me retorne um "message received".

11 comentários:

  1. Pela simplicidade da escrita e porque nos toca.... é por isso que gosto deste blog.

    Beijinhos

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  2. S.,
    Obrigada! E ainda bem que o teu blog também voltou (aqui há dias assustei-me)!

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  3. Minha querida...
    O teu amigo manter-se-á sempre presente no teu coração...
    Os momentos vividos são, agora, recordações boas que te "obrigam" a sorrir (tal como ele gostaria que assim fosse, certo?)
    Para quê guardar sms que nos fazem sentir tristes??? Apaga-a e imortaliza a vossa amizade através do "dar-te" aos outros (tão característico do teu amigo), do sorrires para os outros, do estares de bem com a vida, do lutares pelo que queres... isso sim, será a tua resposta à sms não respondida...

    Escreve-te quem chorou ao apagar o seu último sms...

    Escreve-te quem imortalizou a amigade do nosso Z. através da homenagem de uma singela tese...

    A amizade é isto... a imortalidade das recordações (dos sorrisos trocados, dos segredos partilhados, das folias vividas...)

    A amizade é isto... olhar o céu e saber que ele continua a brindar connosco ;-)

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  4. Isabel,
    São 3 Jamesons...! ;)
    (Um abraço daqui para aí)

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  5. também eu tenho esse hábito de guardar sms's especiais e de as reler, de vez em quando. se me acontecesse o mesmo que a ti, não as apagaria. seria como deitar fora um postal, um retrato, um presente de um amigo que partiu.
    recordar doi e as presenças que ficaram podem doer mais ainda. mas é uma dor consentida. e com sentido. como as tuas palavras.

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  6. Obrigada a todos! :)

    tcl,
    Não tenciono apagar. Até porque a mensagem é muito bonita e representa o que, à data, era a nossa amizade. E isso eu quero guardar. :)

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