Vós os que não credes em bruxas, nem em almas penadas, nem em tropelias de Satanás assenta aqui ao lar, bem juntos ao pé de mim, e contarei a história de D. Diogo Lopes, senhor de Biscaia.
E não me digam no fim: - não pode ser. Pois eu sei cá inventar coisas destas? Se a conto é porque a li num livro muito velho, quase tão velho como o nosso Portugal. E o autor do livro velho leu-a algures ou ouviu-a contar, que é o mesmo, a algum jogral em seus cantares.
É uma tradição veneranda; e quem descrê das tradições, irá para onde o pague.
Juro-vos que, se me negais esta certíssima história, sois dez vezes mais descridos do que S. Tomé antes de ser grande santo. E não sei se eu estarei de ânimo de perdoar-vos, como Cristo lhe perdoou.
Silêncio profundíssimo porque vou principiar.
Alexandre Herculano (1810-1877), A Dama Pé de Cabra: Rimance de um Jogral (Século XI)
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Obrigado por nos lembrares, tão delicioso texto!
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