Quando era miúda pedi aos meus pais para me deixarem ir para os escuteiros. Na altura ouvia contar aos que lá andavam as actividades diversas que faziam ao fim de semana e também queria. Mas o meu pai disse-me que nunca me deixaria ir para os escuteiros por ser um movimento católico*. Não voltei a perguntar, sabia quão intransigente era em questões relacionadas com a igreja católica. Com as igrejas em geral, vá. O meu pai ficava muito contrariado quando sabia que eu, nas férias passadas a Norte, ia, regularmente, com os meus amigos, à missa. Eu entrava nas igrejas pela curiosidade, pelas cerimónias tão diferentes e tão novas para mim. Ia tentar perceber o que levava as pessoas à missa, a terem fé, algo que eu não tinha presente na minha educação, e também, não menos importante, para poder estar com os amigos durante esses 45 minutos a uma hora que durava a eucaristia.
Toda a vida fui ouvindo histórias dos escuteiros mas como o que está longe da vista está longe do coração, nunca me envolvi a ponto de compreender o movimento. Este fim de semana, um grupo de escuteiros de uma região perto de Viseu esteve de visita a Mafra. O meu namorado, conhecedor da região e escuteiro, preparou um jogo pela tapada e interior do convento. Eu tive a oportunidade de acompanhar tudo de perto. Chegaram no princípio da tarde, simpáticos e bem dispostos, de todas as idades (6 - 22, mais chefes). Dividiram-se por equipas heterogéneas e participaram nas provas propostas. No fim, convidaram-nos para jantar e participar no fogo de conselho, que é uma reunião com animações várias, supostamente à volta de uma fogueira. Chovia imenso pelo que as actividades nocturnas decorreram numa sala em torno de um fogo simbólico. Como eu não sou escuteira e estava a participar pela primeira vez, todos se apresentaram e disseram o que era o escutismo para cada um deles. Depois chegou a minha vez de intervir.
Para mim, foi um dia de descoberta. O escutismo, de acordo com a idade, pode ser brincadeira, acção, aventura... mas sempre com atenção ao próximo. Pelo que pude constatar, os mais crescidos tomam conta dos mais pequenos, ajudando-os nos jogos mas também nas refeições e, sobretudo para os chefes, estas actividades implicam um grande trabalho e uma imensa dedicação. Gostei muito do que vi, do que partilhei, do que recebi. Percebi que, tirando a parte da fé e da ligação com a igreja, que é a base mas podia ser outra qualquer com igual motivação de cidadania, o escutismo, se vivido de acordo com os princípios, é de facto um exemplo de altruísmo e fraternidade.
(*) sei agora que existe a Associação de Escoteiros de Portugal (de cariz interconfessional) e o Corpo Nacional de Escutas (de cariz católico). Na altura não sabia. E bom, os meus amigos e coleguinhas andavam todos no católico.
Toda a vida fui ouvindo histórias dos escuteiros mas como o que está longe da vista está longe do coração, nunca me envolvi a ponto de compreender o movimento. Este fim de semana, um grupo de escuteiros de uma região perto de Viseu esteve de visita a Mafra. O meu namorado, conhecedor da região e escuteiro, preparou um jogo pela tapada e interior do convento. Eu tive a oportunidade de acompanhar tudo de perto. Chegaram no princípio da tarde, simpáticos e bem dispostos, de todas as idades (6 - 22, mais chefes). Dividiram-se por equipas heterogéneas e participaram nas provas propostas. No fim, convidaram-nos para jantar e participar no fogo de conselho, que é uma reunião com animações várias, supostamente à volta de uma fogueira. Chovia imenso pelo que as actividades nocturnas decorreram numa sala em torno de um fogo simbólico. Como eu não sou escuteira e estava a participar pela primeira vez, todos se apresentaram e disseram o que era o escutismo para cada um deles. Depois chegou a minha vez de intervir.
Para mim, foi um dia de descoberta. O escutismo, de acordo com a idade, pode ser brincadeira, acção, aventura... mas sempre com atenção ao próximo. Pelo que pude constatar, os mais crescidos tomam conta dos mais pequenos, ajudando-os nos jogos mas também nas refeições e, sobretudo para os chefes, estas actividades implicam um grande trabalho e uma imensa dedicação. Gostei muito do que vi, do que partilhei, do que recebi. Percebi que, tirando a parte da fé e da ligação com a igreja, que é a base mas podia ser outra qualquer com igual motivação de cidadania, o escutismo, se vivido de acordo com os princípios, é de facto um exemplo de altruísmo e fraternidade.
(*) sei agora que existe a Associação de Escoteiros de Portugal (de cariz interconfessional) e o Corpo Nacional de Escutas (de cariz católico). Na altura não sabia. E bom, os meus amigos e coleguinhas andavam todos no católico.
Eu nunca fui escuteira, mas fiz quatro acampamentos de verão organizados pela Cáritas, que muito me enriqueceram. Que bom voltar a ler-te aqui, Catarina!
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