domingo, 26 de novembro de 2017

Dois anos

Faz hoje dois anos que o meu pai morreu. Assim, de repente, sem sinais de doenças graves ou galopantes. Foi a uma reunião, a que não devia ter ido por estar em convalescença de uma operação para partir uma pedra num rim, sentiu-se mal, e já nem o INEM o levou para o hospital. Ficou-se ali mesmo. 

Ainda o senti quente, quando lhe toquei pela última vez, no derradeiro carinho de despedida. Cheguei tarde para lhe dizer, num grito, o amor que lhe tinha, a falta que nos iria fazer, as saudades que iria deixar em todos os que privaram da sua excêntrica maneira de ser.

Todos já vivemos um luto. Infelizmente, já todos perdemos um progenitor, um companheiro, um filho (Deus me livre), ou um amigo especial. Até mesmo um animal de estimação. Não quero discutir qual dói mais, quem sofre mais. Nem pretendo palmadinhas nas costas, o "sei como é" que não tem nada de empático a maioria das vezes. 

Há coisas que nos marcam e nos modificam para todo o sempre, como o nascimento de um filho, como a morte de um pai. A vida encarrega-se de nos ocupar e distrair, mas há dois anos que esta dor me acompanha. Há dois anos que vivo, constantemente, com saudades. E que pena eu tenho de não poder mostrar ao meu pai o seu neto mais novo.

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