terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Eu, o meu pai e os nossos livros

Quando era miúda o meu pai sugeria-me livros para ler. Outros obrigava-me porque há livros que são obrigatórios. Lembro-me de ter lido, a contragosto, confesso, a Odisseia de Homero, por exemplo. Mas muitos outros, mais felizes, ao longo de anos, desde Os esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, passando pelos diversos Hemingways. E o Eça de Queiroz! Quando muitos reclamavam ter de ler Os Maias, na escola, eu relia-o, deliciada.

Recordo-me também de ler Os Thibault, de Roger Martin du Gard, a prestações. Quando estava quase a terminar o primeiro volume, o meu pai apareceu com o segundo e depois com o terceiro. Sim, porque se me tivesse dado logo os três volumes para a mão, provavelmente eu não os teria lido. Posteriormente, tirei uma excelente nota num teste de francês por ter aparecido um excerto d'Os Thibault, onde me fartei de escrever.

Depois veio a fase do Gabriel Garcia Marquez, do Jorge Amado, dos escritores russos e por aí fora...

Há dias, em casa dos meus pais, contemplando a sua biblioteca, voltei a pedir-lhe que me recomendasse um livro. E foi vê-lo passar revista às centenas de livros que tem, saltando prateleiras, agarrando livros, fazendo resumos aqui e ali, lembrando personagens, passagens, contextos.

Saí de lá com vários livros debaixo do braço e a promessa de ir buscar mais.

Nem mesmo quem diz que não gosta de ler resistiria a tamanho entusiasmo.

6 comentários:

  1. A minha mãe também me obrigou a ler vários livros, Uma Familia Inglesa, Eurico o Presbítero...
    Eu sempre gostei de ler, para mim os livros são um prazer, uma parte muito importante da minha vida. Contribuíram e contribuem para a minha formação intelectual e emocional.
    Ler não é uma actividade passiva, é preciso pensar, envolvermo-nos com a história, com os persongens.

    Lembrei-me de uma frase do António Lobo Antunes "Não existe literatura leve. Existe literatura."

    Conclusão, também vou "obrigar" os meus filhos a ler:-)

    e desculpa o comentário ser tão longo!

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  2. Infelizmente o meu pai não, no máximo sugeria-me alguma revista automóvel ou um jornal diário (risos).

    Felizmente tinha o padrinho da minha mãe, na altura director da bertrand, que me trazia livros que eu lia com gosto, lembro-me dos Pássaros feridos, do Papillon... enfim.

    Boas leituras!

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  3. ...sendo assim, hoje, qual seria a sugestão literária que darias a um 'pobre coitado' desterrado entre o lago Léman e os Alpes (Helvéticos)?

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  4. Vais obrigar os teus filhos a ler e, um dia, quem sabe, ainda viras escritora de tantos livros leres.

    Mas, se publicares algum livro, olha que eu depois quero um exemplar com dedicatória, ok?

    bjocas.

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  5. é tão bom ler!
    gostava incutir esse espirito aos meus filhos

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  6. também adoro ler e também esse hábito me foi incutido pela minha mãe... que bom termos pais assim, não é?

    beijocas grandes

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