Quando era miúda o meu pai sugeria-me livros para ler. Outros obrigava-me porque há livros que são obrigatórios. Lembro-me de ter lido, a contragosto, confesso, a Odisseia de Homero, por exemplo. Mas muitos outros, mais felizes, ao longo de anos, desde Os esteiros, de Soeiro Pereira Gomes, passando pelos diversos Hemingways. E o Eça de Queiroz! Quando muitos reclamavam ter de ler Os Maias, na escola, eu relia-o, deliciada.
Recordo-me também de ler Os Thibault, de Roger Martin du Gard, a prestações. Quando estava quase a terminar o primeiro volume, o meu pai apareceu com o segundo e depois com o terceiro. Sim, porque se me tivesse dado logo os três volumes para a mão, provavelmente eu não os teria lido. Posteriormente, tirei uma excelente nota num teste de francês por ter aparecido um excerto d'Os Thibault, onde me fartei de escrever.
Depois veio a fase do Gabriel Garcia Marquez, do Jorge Amado, dos escritores russos e por aí fora...
Há dias, em casa dos meus pais, contemplando a sua biblioteca, voltei a pedir-lhe que me recomendasse um livro. E foi vê-lo passar revista às centenas de livros que tem, saltando prateleiras, agarrando livros, fazendo resumos aqui e ali, lembrando personagens, passagens, contextos.
Saí de lá com vários livros debaixo do braço e a promessa de ir buscar mais.
Nem mesmo quem diz que não gosta de ler resistiria a tamanho entusiasmo.
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A minha mãe também me obrigou a ler vários livros, Uma Familia Inglesa, Eurico o Presbítero...
ResponderEliminarEu sempre gostei de ler, para mim os livros são um prazer, uma parte muito importante da minha vida. Contribuíram e contribuem para a minha formação intelectual e emocional.
Ler não é uma actividade passiva, é preciso pensar, envolvermo-nos com a história, com os persongens.
Lembrei-me de uma frase do António Lobo Antunes "Não existe literatura leve. Existe literatura."
Conclusão, também vou "obrigar" os meus filhos a ler:-)
e desculpa o comentário ser tão longo!
Infelizmente o meu pai não, no máximo sugeria-me alguma revista automóvel ou um jornal diário (risos).
ResponderEliminarFelizmente tinha o padrinho da minha mãe, na altura director da bertrand, que me trazia livros que eu lia com gosto, lembro-me dos Pássaros feridos, do Papillon... enfim.
Boas leituras!
...sendo assim, hoje, qual seria a sugestão literária que darias a um 'pobre coitado' desterrado entre o lago Léman e os Alpes (Helvéticos)?
ResponderEliminarVais obrigar os teus filhos a ler e, um dia, quem sabe, ainda viras escritora de tantos livros leres.
ResponderEliminarMas, se publicares algum livro, olha que eu depois quero um exemplar com dedicatória, ok?
bjocas.
é tão bom ler!
ResponderEliminargostava incutir esse espirito aos meus filhos
também adoro ler e também esse hábito me foi incutido pela minha mãe... que bom termos pais assim, não é?
ResponderEliminarbeijocas grandes