Temos ideia de que se nos sentimos mais seguros, mais felizes somos. No entanto, essa noção de segurança pode ser abalada nas coisas mais simples do dia-a-dia. Por exemplo, se virmos uma criança pequena a brincar e a rir, temos uma sensação boa. É fácil ter amor pelas crianças. Elas acham-nos grandes, sem defeitos, não criticam o nosso modo de vestir, não se interessam por saber se temos muito dinheiro ou uma profissão notável. O nosso ego não está em risco. Talvez dependa dos dias mas não é tão fácil ser indiferente ao olhar crítico que nos lança uma funcionária de uma loja cara onde tenhamos tido a veleidade de entrar. Isto porque a nossa maneira de viver está (erradamente) associada ao ter. Procuramos a satisfação, a realização, pela posse. E o ego diz "quero mais". A publicidade incita-nos a comprar esse elixir para a felicidade, de ter melhor galinha que a vizinha. E a verdade é que quanto mais apegados formos às coisas, aos lugares, às pessoas, mais medo temos de as perder. E assim, deixamos de agir de acordo com a nossa natureza e passamos a querer controlar o que nos "pertence". Deixamos o medo comandar e vivemos constantemente em sofrimento. Porque a segurança não reside no ter, mas no ser.
Quando vamos de viagem, podemos gostar muito de um lugar, de uma paisagem, das pessoas, mas sabemos que vamos partir em seguida. Não nos apegamos às coisas, caminhamos leves e disponíveis para, na próxima paragem, apreciar de novo.
Na vida também devíamos ser viajantes.
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarUau! Dos post que mais gostei.
ResponderEliminarSe me permites, não é nada fácil viver em desapego, ou melhor, não é fácil amar, sentir, viver livremente sem dependermos delas para continuar a viver, amar e sentir, de facto, a associação do apego com o estar conectado a algo é inconsciente e inevitável, queres maior apego que a nossa relação com Deus? Ou por ser o Divino o apego já é permitido? Se assim for, aquilo a que nos apegamos não faz tb parte de Deus? Será que confundimos apego com dependência? Penso muitas vezes nisto e vejo a questão assim: É fácil e desejável viver com apego por quem se gosta ou do que se gosta, a difícil tarefa é o nosso equilíbrio e felicidade interior não depender desse apego.
Obrigado pela partilha :)
Gostei muito! Beijinho!
ResponderEliminarMas nós somos viajantes na vida. Não há mesmo maior viagem :)
ResponderEliminarUns acham importante recolher muitas lembranças outros... apreciam simplesmenmte a viagem!
Gostei muito do teu texto...
O texto reflecte a tua serenidade interior, a forma madura e tranquila como te sentes na tua pele. Gosto muito de te ver assim. Muito bom... MESMO.
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