A Ana era administrativa numa associação. Foi lá que a conheci e fiz amizade com ela. Trabalhou lá muitos anos, aí uns 20. Ou mais, que começou nova. Um dia, a direcção dessa associação mudou e a nova equipa resolveu implicar com a administrativa, que era exemplar, posso atestar, e despediu-a alegando justa causa. A Ana sofreu muito mas não baixou os braços. Depois de um período longo e atribulado, provou-se que não havia razão para o despedimento e a nova direcção foi forçada a pagar uma indemnização por ordem do tribunal. Mandada para o desemprego com quarenta e muitos anos, foi tirar um curso superior, a seguir um mestrado e está no fim do doutoramento. Tem, de momento, cinquenta e alguns anos e é directora científica de uma instituição de estudos superiores noutro país. Veio a Portugal porque recebeu um prémio de mérito por ser a melhor professora universitária do ano. E pensar que foi preciso ser injustamente despedida para que tudo isto acontecesse!
Almocei com ela ontem, falámos como se nos tivéssemos visto no dia anterior, com a mesma confiança e empatia de sempre. E fiquei tão contente por a ver realizada e feliz que me apeteceu quebrar o silêncio deste blogue para registar esta história de vida que me faz lembrar uma frase do Dalai Lama: às vezes, não acontecer o que queremos é um verdadeiro golpe de sorte.
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Linda, linda história!
ResponderEliminarOu como diria o nosso provérbio: "Há males que vêem por bem". E ainda bem que assim foi.
ResponderEliminarInfelizmente, muitas das vezes os bons profissionais, que por cá temos, só são reconhecidos lá fora?!?
Vamos lá a cumprir a promessa do inicio deste ano e quebrar mais vezes o silêncio.
Foi bom ler-te.
Gosto sempre de ouvir (ler, neste caso), histórias de gente real que dá a volta por cima, tornando-se num exemplo a seguir. A prova provada de que a vida pode mudar para melhor, mesmo quando não se está à espera!
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