Há muitos anos tive um médico de família velhote, quase a reformar-se, que me dizia "menina, se tem um bom seguro de saúde, vá ao privado. Quando precisar de fazer análises ou outros exames, venha cá [ao centro de saúde] que eu passo-lhos." E assim foi durante bastante tempo. Sempre que lá ia perguntava-me pela vida, os estudos, os amores. Gostava de falar e fazia-me muitas perguntas de Física, das suas aplicações, das notícias que iam saindo nos jornais. Ir ao centro de saúde era um momento agradável, como quem vai beber um café com um amigo. Não podia era ter um problema grave de saúde. Isso, eu que resolvesse no privado.
O médico reformou-se e veio uma nova. Cara fechada, seca, falava por monossílabos. Contestava a linha de raciocínio da especialista em medicina interna que me seguia e recusou-se mesmo a passar-me umas análises, numa altura em que estava doente, para despistar doenças potenciais, dado o historial de família. Decidi não voltar lá e andei anos a fazer todos os exames no privado, pagando do meu bolso e sendo reembolsada em 80% depois, graças a um bom seguro de saúde que usufruo pelo trabalho.
Aqui há tempos resolvi ir actualizar os meus dados ao centro de saúde e avisaram-me que, ao deixar de pertencer ao agregado familiar em que estava, iria perder o médico de família. Eu não achei isso um risco, considerei até, que era a solução do problema e que, assim, voltaria a poder contar com o médico de família. Actualizo os dados, toda contente e, no final, pergunto como passaria a marcar consultas, agora que passaria a contar na estatística dos portugueses sem médico. "Na mesma. Teve sorte e foi-lhe atribuído a mesma médica."
Só me resta mudar de centro de saúde. Mas, ao que parece, tenho de trocar de morada primeiro.
O médico reformou-se e veio uma nova. Cara fechada, seca, falava por monossílabos. Contestava a linha de raciocínio da especialista em medicina interna que me seguia e recusou-se mesmo a passar-me umas análises, numa altura em que estava doente, para despistar doenças potenciais, dado o historial de família. Decidi não voltar lá e andei anos a fazer todos os exames no privado, pagando do meu bolso e sendo reembolsada em 80% depois, graças a um bom seguro de saúde que usufruo pelo trabalho.
Aqui há tempos resolvi ir actualizar os meus dados ao centro de saúde e avisaram-me que, ao deixar de pertencer ao agregado familiar em que estava, iria perder o médico de família. Eu não achei isso um risco, considerei até, que era a solução do problema e que, assim, voltaria a poder contar com o médico de família. Actualizo os dados, toda contente e, no final, pergunto como passaria a marcar consultas, agora que passaria a contar na estatística dos portugueses sem médico. "Na mesma. Teve sorte e foi-lhe atribuído a mesma médica."
Só me resta mudar de centro de saúde. Mas, ao que parece, tenho de trocar de morada primeiro.
Ui que azar.
ResponderEliminarbeijinhos
Sabes que a minha experiência é exactamente contrária à tua ?
ResponderEliminarTenho uma óptima médica de família, que me acompanha a mim, à minha mãe e ao meu filho há muitos anos.
E também acho que tenho sorte com o meu Centro de Saúde (S.Domingos de Rana. Desde que mudaram de instalações,para um edífico novo construído de raíz para o efeito, o atendimento é surprendente.
Só para perceberes: um destes dias fui picada por uma abelha e recorri ao serviço de enfermagem do Centro. Quando dei por mim a enfermeira estava a fazer um check-up completo ao meu processo e da família. Vacinas, últimas consultas, se os exames de rotina estavam em dia. Confesso que pasmei, não estava à espera daquilo num Serviço Público. Não me deixou sair sem uma consulta de rotina marcada, porque a última já tinha dois anos.
Acreditas ?
:):)
Triss,
ResponderEliminarMesmo!
Beijinhos :)
Custódia C.C.,
Que bom! Há bastantes pessoas contentes com o seu médico de família. Eu é que tive azar. Primeiro, um médico que era um "administrativo": assinava papéis e não queria chatices, apenas conversa. Depois, uma médica anti-privado e pouco interessada no meu estado de saúde. É que não consegui estabelecer a mínima empatia com ela.
Obrigado Catarina :):):)
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