Duas mulheres sozinhas procuram companhia para almoço na tabacaria.
Eu, escolho a Visão;
Ela, escolhe a Sábado.
Entramos no mesmo restaurante. Sentamo-nos em mesas próximas.
Eu, como cannellonis de espinafres com salada;
Ela, come bifinhos enrolados em queijo e fiambre, com puré.
Eu, almoço com a Maria de Belém;
Ela, não sei.
Eu, já estou aqui;
Ela, ainda ficou.
Eu, dentro de duas horas, estarei cheia de fome;
Ela, talvez não.
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lindo! outra coisa não seria de esperar.
ResponderEliminarGajas! :D
ResponderEliminar(a propósito de posts, algures, sobre galinhas, insónias e ferros a passar, aí vai comment pimba)
ResponderEliminaracordam cedo as galinhas
mesmo sem toque de alvorada,
mas não acordam sozinhas
nesse alvor da madrugada
como se fosse picada
por um feixe de raios gama,
ela perde o sono, danada
e dá um salto de peixe na cama
fica assim num torpor
com os olhos a piscar,
até dormiria num reactor,
desde que não fosse nuclear
apetecia-lhe mandar um berro
por ver o sono zarpar,
mas tendo ali à mão o ferro
sempre dá para engomar
um ferro não tem mistério,
uma tábua não tem segredo,
só que juntos são caso sério,
ainda por cima tão cedo
tratada sem maestria,
a roupa fica desalinhada,
vêem-se mangas sem esquadria
e vincos em linha quebrada
camisolas de excelência
juntam-se à ganga puída,
está em jogo a sobrevivência,
é preciso uma frente unida
mesmo a lingerie do interior,
mais simbólica do que semântica,
foge do excesso de vapor
daquela tábua pouco romântica
o cesto da roupa, revoltado,
teme que alguém o puxe,
até lá chora um diabinho pintado
numa t-shirt do george bush
a tarefa está difícil,
já faz muito calor,
o ferro parece um míssil,
num cenário de terror
não há jeito a dar aos panos,
o melhor é desistir,
engomar só traz desenganos
a quem não consegue dormir
tivessem as galinhas braços,
bem podiam dar uma ajuda.
quando os talentos são escassos,
é bom ter quem acuda.